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Le sexe des aventuriers

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En grand défenseur des droits sexuels qu’il a toujours été, Emmanuel Pierrat plante aujourd’hui sa plume acérée dans l’océan intime des héros d’aventure.  Il vient de publier La Vie sexuelle des aventuriers aux éditions du Trésor*. « A vie d’exception, sexe exceptionnel », se plaît-il à commenter. Son érudition et son goût de la chose cachée nous révèlent des secrets très bien gardés. À l’exception de Robinson Crusoé dont Humphrey Richardson nous avait révélé la vie intime**, Pierrat nous trace un chemin délicieux entre intimité, séduction, possession, perversion…  dans la vie intime des personnages les plus inattendus de notre imaginaire déjà bien pourvu. De James Bond à Barberousse, d’Ulysse à Corto Maltese, les cachotteries intimistes vont bon train : «  D’un bond elle fut tout prés de Red Sister ( George Crusoé, la sœur méconnue de Robinson) et au moyen d’une canne à pommeau d’argent dont elle ne se séparait jamais (ornée, lit-on, « de bêtes imaginaires tenant de la blatte et du bourdon réunis »), elle entrouvrit davantage la chemise pour découvrir le second sein, lequel, saisi d’anxiété, était d’une incroyable fermeté – une nectarine taillée dans le silex (…) Elle avait faim ; elle avait soif ; elle voulait survivre. Donc elle ne bougea pas quand Fräulein glissa sa canne dans l’entrejambe, comme pour vérifier qu’un sexe d’homme ne s’y dissimulait pas malgré tout. »

La vie sexuelle des aventuriers

Pierrat a un beau sens de la formule,  lorsqu’il évoque la « libido des naufrages » ; surgissent  à nos yeux des scènes monstrueuses, des ébats nautiques, des pulsions carnivores… Il nous révèle la face cachée de l’histoire aventurière, le voyage d’Ulysse que ni Joyce ni Homère n’avaient osé nous confier avec tant de détails. Pourquoi le discours officiel nous cache-t-il ces secrets intimes qui permettraient de mieux comprendre les personnages aseptisés de nos livres d’histoire ?  Qui donc nous parle du châtiment de Barberousse, grand amiral de la flotte ottomane, après l’échec cuisant de sa tentative d’enlèvement de la belle Giulia Gonzagua ? Qui nous conte les exploits intimes et les cachoteries égrillardes de James Bond ? L’histoire vraie d’Ulysse avec les sirènes ? L’ultime « travail » d’Héraclès ? Et les penchants intimes de Corto Maltese ?

Mêlant récit historique, biographique à la pure fiction, Emmanuel Pierrat ouvre l’éventail de nos fantasmes aventuriers.

 

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* Pierrat E., La Vie sexuelle des aventuriers, Édition du Trésor, 2016. ** Richardson H., La Vie sexuelle de Robinson Crusoé, Cercle du livre précieux, 1963.

Surpresas de Uma Noite de Outono

Música erudita contemporânea é como um prato estranho em um restaurante exótico. Pode-se ir com a cara da coisa ou murmurar aquele argh!!!!!! Particularmente, sempre dou uma garfada, mas se tiver gosto de ovo ou coentro no tempero, saio correndo, escovo os dentes e tomo um café sem açúcar para espantar a praga.

Essa sequência passou em uma fração de segundo pela minha cabeça. No Primeiro de Maio ao chegar  na Sala São Paulo, abri a Revista Osesp e deparei com a estreia mundial da « Rua dos Douradores – Litania da Desesperança », do compositor brasileiro Aylton Escobar, que se encontrava na plateia, como é de praxe nas estreias de peças encomendadas, neste caso pela OSESP e pela Fundação Gulbenkian, de Portugal.

Dado o patrocínio luso-brasileiro, o compositor debruçou-se sobre o « Livro do Desassossego », de Fernando Pessoa (1888-1935). « Composto de centenas de fragmentos, dos quais Fernando Pessoa publicou apenas doze, o narrador principal deste livro é o semi-heterônimo Bernardo Soares. Oscilando entre temas como as variações de seu estado psíquico, a paixão, a moral e o conhecimento, o livro não apresenta uma narrativa linear; antes é composto de diversos trechos e partes que se articulam de maneira mais ou menos aberta. Ainda assim, é a obra de Pessoa que mais se aproxima do romance. » (Cia. das Letras, apresentação da edição de 1999).

A Rua dos Douradores (foto), era a morada de Bernardo Soares, « aposentado em Lisboa ». Segundo o compositor, a obra musical não deu lugar a vibrações demasiado estridentes ou « tuttis » iridescentes. Em lugar disso preferiu trazer recônditas paisagens que a orquestra reconstrói como abrigo para o poeta: paredes e janelas, atmosferas. As vozes do coro – um eu multiplicado – só tiveram de misturar os cacos do espelho em que se estilhaçam o rosto e a alma da personagem comum que caminha pelos bares e ruas de uma cidade qualquer.

Enquanto eu estava entretido nessa leitura a orquestra entrou, fez seu ritual, aplausos para o maestro finlandês Osmo Vänskä.

Começa a música. A menção pelo coral da « Rua dos Douradores » transportou-me para « Páginas da Revolução », filme de Roberto Faenza (1996), baseado no romance « Il Sostiene Pereira » (Afirma Pereira), do italiano Antonio Tabucchi, estrelado por Marcello Mastroianni, um dos ícones do cinema italiano da segunda metade do século XX.

O filme se passa em 1936, início da ditadura de Oliveira Salazar. No seu trajeto diário, Pereira tomava o elevador da Glória, um bondinho que circula entre a Baixa e a Alta Lisboa por uma ladeira estreitíssima (foto). Em 1998, fiz em Lisboa o trajeto de Pereira, porém, por um transitório problema oftalmológico, tinha a visão turva. Resumindo a ópera, praticamente via quadros impressionistas. Esse ver-não-vendo era alternado ora pela angústia, ora pela piração nas imagens distorcidas.

Foi exatamente isso que senti durante os vinte minutos de duração da obra de Aylton Escobar. Aplaudi de pé, só faltou o selfie com o compositor. Viajei de graça à Lisboa em vinte minutos. Durante o intervalo, ainda meio em transe, saí da sala de concertos e desci para o saguão, olhei pelos vidros a gare da antiga estrada de ferro Sorocabana, lembrei-me do trem para OZ… OZasco… Anos 70… Mas como dizia Julio Gouveia, « isso é uma outra história, que fica para uma outra vez ».

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